UMA TROCA INESTIMÁVEL

Nenhum mito expôs o que está no coração humano de nossa era de modo tão magistral como a história contada por Christopher Marlowe em Doutor Fausto. O protagonista dessa peça de teatro do século XVI, escrita por um contemporâneo de Shakespeare, é um alemão, doutor em teologia que flerta com o ocultismo. O coração de Fausto é gradualmente consumido pelo amor que o aprendizado terreno, a fama e a fortuna podem trazer. O diabo aparece a Fausto na pessoa de Mefistófeles e lhe faz uma oferta memorável. “Venda a sua alma para mim por toda eternidade e eu lhe concederei todos os seus desejos aqui na terra”. Fausto luta contra as implicações eternas dessa oferta. Mas seu amor pelo mundo é mais forte que seu amor por Deus, por isso Fausto aceita a oferta satânica e negocia a sua alma. Para a alegria de Fausto, o diabo cumpre o que prometeu. O coração ganancioso de Fausto fica cheio de conhecimento, conquista riquezas, fama e muitas mulheres. Mas o seu tempo na terra acaba chegando ao fim. O diabo aparece para cobrar a sua divida. Na hora de sua morte. Fausto percebe que caiu em uma armadilha. Ele reconhece que fora um tolo em trocar os prazeres eternos pelos prazeres volúveis desta vida. Mas é tarde demais. Não há saída (ao menos na versão de Marlowe). Incapaz de comprar sua alma de volta, Fausto é tragado pelo inferno e passa sofrer tormento eterno. O mito de Fausto é a nossa história. É uma descrição do mundo moderno e da humanidade de hoje em dia, esteja ela em Nova Iorque ou na África. Abrir mão dos prazeres de Deus em troca dos prazeres deste mundo é uma preocupação moderna. Os cristãos não estão imunes a esse aspecto do espírito secular. Enquanto o secularismo muitas vezes usa a máscara do ceticismo e do ateísmo, também pode usar a máscara da religiosidade. Deus não é buscado como um fim em si mesmo, mas como um meio de alcançar os fins seculares, o fim faustiniano; riqueza, prazeres terrenos e fama. As versões do evangelho que prometem saúde e riqueza vêm imediatamente a nossa memória. Porém, algumas negociações mais sutis com o demônio podem ser feitas nos bancos da igreja. Podemos buscar a Deus para dar continuidade a um casamento, concertar a vida de nossos filhos ou encontrar o em prego certo. No entanto, o problema não está limitado aos cristãos sentados nos bancos da igreja. Os vocacionados para o ministério também podem sucumbir ao “espírito de Fausto”. A área onde essa percepção secular realmente toca a nossa vida é a adoração. Um amor demasiado pelo mundo ataca a raiz da adoração, seja ela feita em particular, ou em público. Sem pensar cantamos sobre “doces momentos de oração” e louvamos a Deus “fonte de todas as bênçãos”, mesmo que nossa mente esteja pensando na festa de ontem, nas próximas férias ou no carpete novo para a nossa sala de estar.

Como podemos renovar a adoração em seu nível mais básico? Como podemos aumentar a convicção de que o Deus triuno é o maior tesouro desta vida? Precisamos de algumas ideias, algumas boas ideias, que nos ajudem a furar essa “bolha de sabão” da afeição pelo mundo e redirecionar a nossa congregação, nossos alunos de escola bíblica e nosso próprio coração de volta para Deus.

Extraído do texto de Richard Baxter

Igreja Batista Centenário
Lugar de gente feliz e abençoada

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